Memória fixa

Experimentos com humanos mostram que ingerir cafeína depois de uma sessão de aprendizado aumenta a capacidade de consolidar memórias de longo prazo.



No experimento, pessoas que ingeriram uma quantidade de cafeína equivalente à encontrada em duas ou três xícaras de café mostraram maior capacidade de fixação de memória de longo prazo. (foto: Flickr/ Chichacha – CC BY 2.0)

Antes de ir para aula ou trabalho, nada melhor que uma xícara de café para espantar o sono e manter a mente alerta. Não há dúvidas de que a cafeína presente na bebida tem esses efeitos. O que não é ainda bem conhecido, no entanto, é a ação dela sobre a memória. Um novo estudo de pesquisadores norte-americanos lança luz sobre essa questão ao mostrar que a ingestão de doses moderadas da substância estimulante melhora a fixação da memória de longo prazo.

Um mínimo de 200 mg de cafeína administrada depois de uma sessão de aprendizado aumenta a capacidade de memorizar o conteúdo

Depois de conduzir testes com mais de 100 pessoas, os pesquisadores, da Universidade Johns Hopkins e da Universidade da Califórnia , ambas nos Estados Unidos, verificaram que um mínimo de 200 mg de cafeína administrada depois de uma sessão de aprendizado aumenta a capacidade de memorizar o conteúdo recebido pelo menos até o dia seguinte.

Na experiência, os voluntários receberam cartelas com imagens – como uma cesta de piquenique e um saxofone – e tiveram que classificá-las entre ‘objetos de dentro de casa’ e ‘objetos externos’. Logo depois da tarefa, metade das pessoas recebeu uma dose de cafeína e a outra metade recebeu um placebo, sem efeito químico.

Um dia depois, os pesquisadores reapresentaram aos dois grupos de voluntários as cartelas, substituindo algumas das imagens por outras de objetos semelhantes, mas não idênticos aos originais. Também foram acrescentadas novas cartelas com objetos inéditos. Foi pedido às pessoas que discriminassem entre esses três tipos de imagens (originais, novas e semelhantes).


Um dia após visualizarem cartelas com diferentes imagens, os voluntários tiveram que discriminar, em um novo conjunto de cartelas, as imagens novas, originais e semelhantes às do grupo anterior. (foto: Borota et al/ Nature Neuroscience)
Os testes foram conduzidos com três dosagens diferentes de cafeína: 100 mg, 200 mg e 300 mg. Ao final, tanto o grupo que ingeriu cafeína quanto o grupo que não ingeriu conseguiu identificar as imagens novas, mas somente as pessoas dos grupos que receberam 200 mg ou 300 mg da substância conseguiram diferenciar as imagens semelhantes das originais.

“Pesquisas anteriores com animais já haviam demonstrado que a cafeína atua sobre a memória de curto prazo – medida alguns minutos após um aprendizado –, mas nenhum estudo tinha ainda testado a atuação da substância sobre a memória de longo prazo, responsável pela recordação de eventos que ocorreram há mais de um dia”, conta Michael Yassa, neurocientista da Universidade Johns Hopkins e um dos autores do estudo, publicado esta semana na Nature Neuroscience.

Para o pesquisador, a experiência é importante porque foi a primeira a administrar a cafeína depois do desempenho de uma tarefa e não antes. “A maioria dos estudos testa a cafeína administrada antes do aprendizado, o que torna difícil dissociar os efeitos sobre a memória dos outros efeitos produzidos pela cafeína, como o aumento da atenção e da velocidade de processamento neural”, comenta.

Os pesquisadores também conduziram testes nos quais a cafeína foi ingerida apenas no segundo dia após o aprendizado e não obtiveram bons resultados, o que indica que a substância atua na consolidação das memórias e não no seu resgate.


Efeitos variados

A dosagem utilizada na experiência é facilmente conseguida ao se beberem duas xícaras de café seguidas e está abaixo do limite diário de 600 mg, acima do qual a substância é considerada perigosa. 

No entanto, Yassa alerta que a cafeína pode ter efeitos colaterais como dor de cabeça e nervosismo, observados inclusive entre os voluntários de sua pesquisa.

A dosagem utilizada na experiência é facilmente conseguida ao se beberem duas xícaras de café seguidas e está abaixo do limite diário acima do qual a substância é considerada perigosa

“Ingerir cafeína à noite pode provocar insônia e doses grandes podem gerar dor de cabeça, ansiedade e aumento da pressão arterial, que pode ser especialmente perigoso para quem tem um histórico de doença cardíaca”, diz. “Tudo depende do metabolismo da pessoa: para alguns, um pedaço de chocolate tem cafeína suficiente para ficar alerta, mas outros, como eu mesmo, precisam de quatro xícaras de café para conseguir o mesmo efeito.”

O pesquisador pondera que mais estudos são necessários antes que a substância seja recomendada como terapia. O próximo passo do grupo será tentar descobrir os mecanismos fisiológicos por trás da melhoria de memória provocada pela ingestão de cafeína por meio de exames de imagem do cérebro e testes toxicológicos.

Velinha ou velhinha

As palavras velinha e velhinha existem na língua portuguesa e estão corretas. Estas duas palavras, muito usadas em piadas e trocadilhos, ainda causam confusão a alguns falantes da língua. Ambas se encontram no grau diminutivo. Velinha é diminutivo de vela e velhinha é diminutivo de velha.

Exemplos:

O bolo tem cinco velas.
O bolo tem cinco velinhas.
Minha avó já está muito velha.
Minha avó já está muito velhinha.
As palavras velinha e velinha são formadas a partir de derivação sufixal, sendo acrescentado o sufixo nominal diminutivo –inha a uma palavra já existente, alterando o sentido da mesma. O grau diminutivo dos substantivos indica diminuição, pequenez. Pode também transmitir uma ideia de carinho, com grande valor afetivo, ou uma ideia de menosprezo, de troça.

A palavra vela pode ter sua origem na palavra em latim vela ou ser formada por derivação regressiva do verbo velar. Pode significar uma peça de cera usada para iluminar, um tecido usado para impulsionar as embarcações com a força do vento ou qualquer embarcação movida por esse sistema. Refere-se ainda a uma vigília, a uma pessoa em vigília ou a uma peça usada para filtrar líquidos.

A palavra velha é a forma feminina da palavra velho, que tem sua origem na palavra em latim vetulu. Refere-se a uma senhora de muita idade ou a alguma coisa que já existe há muito tempo, estando gasta pelo uso ou ultrapassada. Em linguagem familiar e popular pode significar a mãe da família ou a morte.

Dezesseis ou dezasseis

As duas palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. A forma correta de escrita da palavra no português do Brasil é dezesseis e a forma correta de escrita da palavra no português de Portugal é dezasseis. Devemos usar a palavra dezesseis sempre que quisermos referir o numeral cardinal 16, equivalente a 1 dezena mais 6 unidades. 

Exemplos: 
Dezesseis casais participarão no encontro.
Dezasseis casais participarão no encontro.

Antes do número dezesseis vem o número quinze.
Antes do número dezasseis vem o número quinze.

A palavra dezesseis é formada pela junção do numeral dez, mais a conjunção aditiva e, mais o numeral seis: dez + e + seis. Há duplicação da consoante s para que se mantenha a pronúncia s, conforme as regras de ortografia do português. Este processo de formação ocorreu também no número dezessete (dez + e + sete), havendo também duplicação do s.

Atenção!
Erradamente se escreve desesseis. Esta palavra deverá ser escrita com z na segunda sílaba devido à presença do numeral dez que se escreve com z: dezesseis.

Plural de segunda-feira

O plural da palavra segunda-feira é segundas-feiras. 

Na segunda-feira eu janto com minha mãe. 
Todas as segundas-feiras eu janto com minha mãe. 

Exemplos
Meu filho tem aula de piano nas segundas-feiras. 
Nas segundas-feiras é sempre mais difícil levantar e ir trabalhar. 

Na língua portuguesa existem dois números gramaticais: o singular e o plural. O singular se refere a só um ser e o plural se refere a dois ou mais seres. 

A principal regra de formação do plural é acrescentar s à palavra no singular, ou seja: menina/meninas, casaco/casacos, mãe/mães,… Esta regra diz respeito, principalmente, aos substantivos simples terminados em vogal. 

Relativamente aos substantivos compostos, que são formados por mais do que um radical, existem várias regras para a formação do plural. Pode ser feito pela flexão dos dois elementos que formam a palavra, apenas pela flexão do primeiro elemento que forma a palavra, apenas pela flexão do segundo elemento que forma a palavra ou pela não flexão dos elementos, se mantendo invariável. 

Segunda-feira é uma palavra formada através de composição por justaposição. Ou seja, ocorre a formação de uma nova palavra partindo da junção de duas ou mais palavras: segunda + feira. Segunda é um numeral e feira é um substantivo, ambos pertencentes à classe das palavras variáveis e flexionáveis. Uma das regras de formação do plural dos substantivos compostos afirma que os substantivos compostos formados por palavras variáveis (adjetivos, substantivos, pronomes, numerais) fazem seu plural pela flexão de todas as palavras. 
Exemplos: segundas-feiras, matérias-primas, couves-flores, guardas-noturnos, primeiras-damas,... 

Tal como acontece na palavra segunda-feira, em todos os restantes dias da semana há a flexão dos dois elementos das palavras no plural: terças-feiras, quartas-feiras, quintas-feiras, sextas-feiras. 

Fique sabendo mais! 
Segundo o Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009, o hífen se mantém nas palavras compostas por justaposição sem elementos de ligação, cujos elementos formam uma unidade com significado próprio, permanecendo assim o hífen na palavra segunda-feira. Além disso, o Novo Acordo Ortográfico afirma também que os dias da semana deverão ser escritos com letra minúscula e não com letra maiúscula: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira,...

Segunda-feira ou segunda feira

A forma correta de escrita da palavra é segunda-feira. As palavras segunda feira, escritas sem hífen, estão erradas. Devemos utilizar o substantivo comum feminino segunda-feira sempre que quisermos referir o segundo dia da semana, que fica entre o domingo e a terça-feira. É uma palavra composta por justaposição das palavras: segunda + feira. 


Exemplos: 
Tenho aulas de piano na segunda-feira. 
Segunda-feira é o pior dia da semana. 

Esta dúvida surge por causa das alterações na hifenização das palavras compostas trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009. Segundo este acordo, o hífen se mantém nas palavras compostas por justaposição sem elementos de ligação, cujos elementos formam uma unidade com significado próprio. 

Assim, segunda-feira e os restantes dias da semana deverão continuar sendo escritos com hífen, bem como outras palavras como: arco-íris, decreto-lei, ano-luz, guarda-chuva,… 

Relativamente aos dias da semana, o Novo Acordo Ortográfico afirma que os mesmos deverão ser escritos com letra minúscula e não com letra maiúscula: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira,…

Brasil y Portugal no hablan el mismo idioma

La Ortografía portuguesa se enfrenta al mayor intento de unificación hasta la fecha


  • Saramago "no tiene paciencia para ir de nuevo a la escuela", pero ve la reforma necesaria

  • Quienes hablamos español sabemos que con un latinoamericano no tenemos problemas: hablamos el mismo idioma, nos da igual leer a un argentino, a un peruano o a un colombiano, y podemos consultar las webs de los periódicos en español del país que queramos. Somos una comunidad de unos 400 millones de hispanohablantes y no nos planteamos más. Pero, si la historia de Portugal y sus antiguas colonias debería ser similar, no lo es. Para nada. Aunque parezca extraño, existen dos normas ortográficas diferentes: la portuguesa y la brasileña. Después de la llegada de los portugueses a Brasil, muchas cosas han cambiado, incluso la lengua. La evolución natural del idioma y las reformas unilaterales de la lengua han hecho que el portugués practicado hoy en Brasil y en los otros siete países de lengua portuguesa sea muy diferente. Pero las cosas van a cambiar: esto sólo será así hasta que la unificación de la Ortografía portuguesa ratificada hace poco sea puesta en práctica. Con esta unificación, se calcula que aproximadamente un 0,5% de las palabras usadas en Brasil cambiará, así como un 1,6% de las usadas en Portugal y en los otros seis países que tienen el portugués como lengua oficial. El Acuerdo Ortográfico  fue definido en 1990 por una comisión de lexicógrafos (profesionales que estudian el origen y formación de las palabras) de la Comunidad de los Países de Lengua Portuguesa (CPLP).


    230 millones de personas hacen del portugués la séptima lengua en el mundo. Brasil suma 185 millones de habitantes, por eso será Portugal quien tenga que adaptarse más



    Pero ¿cómo se lleva a cabo un proceso así? Uno de los criterios de los cambios aprobados fue el número de hablantes. Cerca de 230 millones de personas hacen que el portugués sea la séptima lengua en el mundo. Brasil suma 185 millones de habitantes, por eso el portugués de Portugal es el que más sufrirá los cambios. La principal justificación para la nueva ortografía es la divulgación del portugués a nivel internacional. Pero, según los opositores, son la literatura y la cultura de un pueblo lo que difunde una lengua. Hasta ahora, además de Brasil y Portugal, han ratificado este Acuerdo Santo Tomé y Príncipe y Cabo Verde. Los otros cuatro países de la CPLP (Timor Oriental, Angola, Guinea-Bissau, y Mozambique) lo aprobaron inicialmente, aunque no lo han ratificado. A pesar de eso, con sólo tres firmas se puede poner en práctica. El proceso de implantación depende de cada país, por eso no hay una fecha final de obligatoriedad. En Portugal la nueva ortografía será obligatoria en seis años, y en Brasil, en 2012.
    La principal justificación para una nueva ortografía es la divulgación del portugués en la escena internacional. Pero, según el profesor Luiz Carlos Cagliari, de la Facultad de Ciencias y Letras de la Universidad Estadual de Sao Paulo, lo que difunde una lengua es suliteratura y la cultura de un pueblo. "El inglés tiene diferentes modelos ortográficos y el idioma es leído independientemente de dónde es practicado. ¿Por qué tenemos que escribir de una única manera?".
    Las editoriales brasileñas se han mostrado a favor de la unificación: supondrá mayores ventas y menos trabajo para publicar un libro ya sea en Brasil o en otros países de lengua portuguesa. Según éstas, es necesario cambiar cerca de un 10% del contenido para adaptarlo al portugués de Portugal. Pero, presumiblemente, las cosas no irán tan bien para las pequeñas editoriales, que no tendrán recursos financieros para cambiar las publicaciones.
    Pero, si las medidas no obtienen consenso en Brasil, tampoco lo consiguen en Portugal. Algunos expertos brasileños dicen que la reforma no ayuda y está llena de fallos. Cagliari es uno de éstos: "La reforma no es necesaria desde el punto de vista teórico académico". Y continúa diciendo que, para leer, el proceso de aprendizaje es fácil, aunque no lo es tanto para escribir. "En Brasil hay un gran número de analfabetos y personas que casi no saben leer, los errores todavía aparecerán en carteles o en documentos importantes. Aprender las nuevas normas es cuestión de escolaridad y no de ortografía".
    Después de aprobadas las reglas en Portugal, en mayo de este año, el poeta y escritor Vasco Graça Moura entregó al Parlamento portugués un manifiesto con 45 mil firmas contra las nuevas normas de escritura. Según él, si un día los cambios fueran aplicados, sería desastroso, porque las nuevas normas no permiten la pronunciación natural de la lengua. "La sociedad civil se está movilizando y la ley aún puede ser suspendida por el Parlamento. Al Gobierno de Portugal le vendieron un mito y nos subordinamos a Brasil". Graça Moura considera que las editoriales brasileñas tendrán más presencia en el mercado internacional, pero afirma que nunca Portugal y Brasil deberían haber aprobado una ley que dice que con la firma de sólo tres países ya se puede aplicar la ley a todos los países de habla portuguesa. "Eso es una vergüenza para nosotros. Tres no pueden sobreponerse a ocho".
    Cerca de 
    El Nobel de Literatura José Saramago, a pesar de afirmar en una entrevista al periódico portugués Publico que no va a cambiarse ni tiene pacienciapara volver a los diccionarios o a la escuela, considera que el futuro de la lengua estaría comprometido sin los cambios y que, como tantas otras, la reforma es necesaria, porque Brasil tiene más hablantes que Portugal.
    Ya hubo otras reformas de la lengua sin el éxito deseado en el intento de unificar el idioma. En 1911, Portugal hizo una reforma unilateral sin consultar con Brasil, lo que profundizó las diferencias en la escritura de los dos países. Veinte años después, un acuerdo de unificación se firmó, pero no se adoptó plenamente. En 1971, finalmente un acuerdoaproximó las normas ortográficas.

    El caso español

    Aunque no seamos conscientes de ello, la lengua española también pasó por un proceso similar. Los países de Latinoamérica, con el paso de los años, practicaban otro idioma español, lleno de palabras y acentos propios. Pero, las reformas ocurrieron mucho antes. Chile fue el último país a aceptar las nuevas normas en 1927. "Toda lengua viva está sujeta a influencias de otras lenguas, a neologismos necesarios (e innecesarios, a veces) por causa de las nuevas realidades que necesitan nuevas palabras, pero la unificación es necesaria", explica Fernando Vilches, profesor titular de Lengua Española de la Universidad Rey Juan Carlos.
    La ortografía de la lengua española está hoy completamente unificada. La Real Academia Española, junto con las Academias correspondientes de los países hispanoamericanos, publicó en el año 1999 la única ortografía válida para todo el ámbito hispanohablante. En 2005, como libro complementario, fue publicado el Diccionario Panhispánico de Dudas.
    Para todos los expertos consultados y para el profesor Vilches, la difusión de una lengua depende de una mezcla de factores. Según él, la unificación de la lengua es fundamental para su reconocimiento internacional. "La unidad del español en todo el ámbito del mundo hispánico y su carácter 'materno' para alrededor de 300 millones de personas han permitido el despegue actual. Luego vienen su facilidad fonética (casi todo se escribe como se pronuncia) y su proyección económica"